segunda-feira, outubro 31, 2011

Morto número mil retrata o flagelo do trânsito gaúcho



Vítima foi jovem professor atropelado ao atravessar a rua na faixa na Capital

Nilson Mariano | nilson.mariano@zerohora.com.br
A ceifadeira de vidas em que se transformou o trânsito produziu, na manhã de ontem, a sua vítima número 1.000 no Rio Grande do Sul, neste ano. O professor André Lucas Silveira da Rosa tombou aos 23 anos, colhido por um ônibus sobre a faixa de segurança quando rumava para uma escola especial da zona sul de Porto Alegre. Iria preparar um bolo com os alunos, para celebrar o seu primeiro ano de trabalho na instituição.

A marca dos mil mortos chegou mais cedo em 2010 – no ano passado, foi atingida em novembro. Se persistir o atual ritmo da carnificina, este ano deverá superar os 1,2 mil óbitos registrados em 2009. Apuração da Rádio Gaúcha e de zerohora.com alerta que a maioria das vítimas se enquadra no perfil do professor André: homens entre 18 e 24 anos, eliminados dentro das cidades.

Os alunos da Escola Especial Dr. João Alfredo de Azevedo ficaram sem o bolo que seria confeitado para festejar o primeiro ano de trabalho do professor André na instituição. O mestre não apareceu. Seu corpo ficou estendido no asfalto, parcialmente esmagado pelas rodas de um ônibus.

André Lucas Silveira da Rosa, 23 anos, tornou-se às 7h30min de ontem a milésima vítima da guerra no trânsito este ano, segundo a contagem da zerohora.com e Rádio Gaúcha feita desde 1º de janeiro em todo o Estado. Ao atravessar o corredor de ônibus da Avenida Bento Gonçalves, no bairro Partenon, sobre a faixa de segurança, foi atropelado por um ônibus da empresa Sudeste, conduzido por José Luiz Prestes Matos, 53 anos. Matos deixou o veículo em estado de choque e se esquivou de entrevistas. No Palácio da Polícia, também preferiu ficar calado ao prestar depoimento.

O professor iria ao encontro dos seus 13 alunos, com os quais prepararia o bolo de aniversário a muitas mãos. Desembarcara de um ônibus vindo da Zona Norte, onde mora, pegaria carona no Corsa da colega Maslova Vilhena, que leciona na Escola Dr. João Alfredo, localizada na Zona Sul e ligada à Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae).

Estacionada a 200 metros do local do atropelamento, Maslova viu a tranqueira na avenida, os policiais chegando, a sirene da ambulância abrindo caminho. Mas não imaginou que fosse de André o cadáver encoberto por mantas. Às 7h45min, preocupada com o atraso, telefonou para o celular do amigo. Quem atendeu foi o sargento Ronaldo Penha, do 19º Batalhão de Polícia Militar.

– O que a senhora é do André?

– Sou colega dele...

– Infelizmente, ele está em óbito – avisou o sargento.

Maslova não entendeu o desfecho trágico da linguagem policial. Aturdida, telefonou para a escola contando que André se envolvera num acidente de trânsito. Em torno das 8h, quando a notícia era confirmada pelas rádios, a diretora da Dr. João Alfredo, Vanessa Kulczynski, tentava encontrar meios de comunicar a morte aos 80 alunos e aos educadores. Chegou a convocar médicos, prevendo reações de desespero.

Professor também ajudava os pais

Pais foram buscar seus filhos, que choravam pela morte do “professorzinho”, apelido carinhoso devido à juventude de André. Professoras estavam em lágrimas pelo “mascote”, o caçula que se dedicava ao ensino de deficientes por ideal. Ele se formou em Pedagogia na PUCRS, em 2008, optando pela educação especial.

– Ele viveu para isso, estava sempre querendo melhorar – ressaltou a diretora Vanessa.

Nascido em Rosário do Sul, na Fronteira, André se mudou para Porto Alegre ainda pequeno, acompanhando os pais e o irmão, Cristiano, 29 anos. Aficionado por videogame e futebol, comparecia ao Estádio Olímpico para torcer pelo Grêmio, sempre com o mano mais velho. E não perdia o noticiário esportivo da Rádio Gaúcha.

– Ele era fã do Pedro Ernesto e do Sala de Redação. Como trabalhava no horário do programa, escutava pela internet, à noite – disse o irmão.

André se desdobrava, também ajudava os pais, o zelador Cleber Pinto da Rosa e Nara Miraci, que cuida de uma senhora doente. Quando terminava a jornada na escola especial, embarcava no carro de Maslova já abrindo a marmita que ele mesmo cozinhara. Até a parada do ônibus, almoçava às pressas o arroz de carreteiro ou bife com arroz, dentro do Corsa. Às 13h30min, já estava a postos em outro colégio.

Na Escola Dr. João Alfredo, ontem, a mesa de André, enfeitada com revistas de quadrinhos do Superboy e da família do Pato Donald, permaneceu vazia. No quadro-negro da sala de aula, uma equação matemática – quanto é 12 + 7 – deverá ser respondida pelo próximo mestre. A milésima vítima do trânsito será sepultada hoje, no cemitério Jardim da Paz.

Acidentes envolvendo motociclistas matam 85,2% mais do que com automóveis


Só em outubro foram registradas 39 mortes

Usada para trabalho por uns, como hobby por outros, meio de transporte barato e ágil para enfrentar congestionamentos e fugir dos ônibus lotados, a motocicleta virou arma na guerra do trânsito. Cada vez mais presente nas ruas e estradas, a moto – cuja frota dobrou em sete anos – está envolvida em pelo menos uma morte por dia no Estado.


Proporcionalmente ao volume de veículos em circulação, acidentes sobre duas rodas matam 85,2% mais do que tragédias envolvendo automóveis. Em outubro, até este sábado pela manhã, ao menos 39 pessoas perderam a vida em motos no território gaúcho, número superior à média mensal de 2011, até setembro, que foi de 34 mortes.


As vítimas de outubro, somadas ao dado anual, elevam para 347 os óbitos sobre duas rodas em 2011. A frieza das estatísticas não reflete a dimensão do infortúnio coletivo. Com o intuito de alertar motoristas e tentar frear esse extermínio sobre o asfalto, ZH preparou esta reportagem, indo muito além dos números para mostrar os rostos por trás de cada registro. São 31 homens, três mulheres, quatro adolescentes e uma criança extirpados prematuramente do convívio de seus familiares.

sábado, outubro 29, 2011

TRANSITO MATA MAIS DE 40 MIL E BATE RECORDE



ALENCAR IZIDORO, ENVIADO ESPECIAL AO RIO, FOLHA.COM, 29/10/2011

Os acidentes de trânsito deixaram 40.610 mortos no país em 2010, média de 111 por dia e uma alta de 8% sobre o ano anterior, informa Alencar Izidoro. É o maior número em 15 anos, segundo o Ministério da Saúde. A reportagem está disponível para assinantes da Folha e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha.

As internações cresceram 15%, beirando 146 mil.

Para o ministro Alexandre Padilha, a elevação se deve principalmente ao aumento da frota de motos. Pelo 2º ano, morreram mais motociclistas que pedestres.

Técnicos incluem também um provável relaxamento da lei seca. O ministro da Saúde admite que a embriaguez é uma das principais causas de acidentes, mas argumenta que fiscalizar é atribuição dos Estados.

Especialistas listam ainda ações do governo federal, como a lei, sancionada por Lula, que regulamentou a profissão de mototaxista e os incentivos a motos e carros, em detrimento do transporte coletivo.

sexta-feira, outubro 28, 2011

Campanha pela Vida


Solicito aos amigos (as) que desejarem colaborar com o projeto popular que visa aumentar as penas no trânsito para quem dirigir embriagado, para somarem-se àqueles que querem dar um basta à barbárie que está tomando conta de todo o país, ceifando preciosas vidas pelas mãos de motoristas irresponsáveis. Se assim desejarem, meus amigos (as), abaixo segue o link para essa tomada de atitude.


Tragédia na Bento escancara fragilidade na fiscalização

Pelotas, sexta-feira, 28 de outubro de 2011, 17h32min
Foto: Mônica Jorge - Especial DP

Veículos envolvidos em acidente fatal estariam em alta velocidade
Por: Michele Ferreira
michele@diariopopular.com.br

 
Os argumentos dos órgãos públicos para a falta de fiscalização sobre os rachas são os mesmos. Há anos. Nesta segunda-feira (25), diante da repercussão de mais uma tragédia registrada no prolongamento da avenida Bento Gonçalves - na madrugada de domingo -, Brigada Militar (BM), Secretaria de Segurança, Transportes e Trânsito (SSTT) e Polícia Rodoviária Federal (PRF) voltaram a defender a importância de ações integradas que, aliás, deveriam ser rotina. O déficit no efetivo, para desencadearem operações isoladas, desponta como vilão. Qualquer afirmativa de que o episódio, trágico, surpreende, soaria como deboche. A prática de desafiar a vida é velha conhecida da comunidade. Endereço, dia e hora são batidos.

O titular da SSTT, Flávio Gastaud, admite que a falta de pessoal prejudica o trabalho preventivo. Atualmente o quadro é composto por apenas 53 agentes de trânsito para cobrir toda a zona urbana de Pelotas. Das 47 vagas abertas no concurso público, apenas 18 serão preenchidas; foram os únicos aprovados. “Já ocorreram blitze ali no prolongamento e eles fogem pelos lados. Podem acabar provocando outros acidentes”, pondera. Para a ação se desenvolver de forma efetiva, os agentes precisariam atuar sincronizados com BM e PRF. “Precisaríamos fechar todas as cercanias, mas o prolongamento da Bento não é o único local”, justifica-se.

Avenidas Duque de Caxias (Fragata), José Maria da Fontoura (Laranjal), Domingos de Almeida (Areal) e Fernando Osório (Três Vendas) transformam-se em palco aos pegas. As ruas Professor Araújo e Santos Dumont também costumam virar pista, principalmente, aos motoqueiros.

Alternativas
A instalação de lombadas eletrônicas não está descartada. Em outras circunstâncias, todavia, a medida de controle da velocidade emperrou no processo licitatório. A instalação de câmeras está entre as hipóteses, mas não há qualquer previsão de data para fazer a teoria virar prática. O radar móvel, que só em agosto resultou em 37 multas por dia por excesso de velocidade em Pelotas, também poderia se transformar em ferramenta de inibição.

A palavra da Brigada Militar
O comandante da 2ª Companhia da BM, capitão Daniel Silva, voltou a sustentar que não falta fiscalização no local. As operações diárias não são simples - reitera. As abordagens precisam ocorrer de maneira planejada. Técnica. Segundo ele, não se pode fomentar a correria e causar acidentes ao invés de evitar.
 
O que diz a PRF?

O efetivo reduzido impede a implementação de ações periódicas de fiscalização, nos moldes da realizada em conjunto com a SSTT e a BM em 2010 - afirma o inspetor-chefe da 7ª Delegacia da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Mário Zanini. O patrulhamento preventivo ocorre basicamente motivado por denúncias que, em geral, apontam ao mesmo lugar: a avenida Presidente João Goulart, no caminho ao Centro de Eventos Fenadoce.