segunda-feira, dezembro 17, 2012

LEI MAIS SECA




ZERO HORA 17 de dezembro de 2012 | N° 17286

EDITORIAIS


A Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou na última semana 
projeto de lei tornando mais rígidas as punições para motoristas flagrados 
dirigindo sob efeito de bebida alcoólica. 
O projeto, que será examinado em regime de urgência pelo plenário da Casa, 
eleva o valor da multa e acrescenta novos meios de comprovação de embriaguez
por parte das autoridades. O principal propósito é acabar com a impunidade de 
motoristas que se recusam a fazer o teste do bafômetro, sob a alegação de que 
ninguém é obrigado a produzir provas contra si mesmo.
Se servir para atenuar o morticínio no trânsito, sem prejuízo das liberdades
individuais, o novo estímulo à Lei Seca será bem-vindo, mesmo se mostrando 
longe de assegurar a expectativa alimentada por muitos brasileiros de álcool 
zero nas rodovias.

Num país em que, a cada ano, morrem dezenas de milhares de pessoas em 
acidentes envolvendo veículos nas estradas e em áreas urbanas, qualquer 
percentual de redução significa um resultado considerável. Por isso, toda 
tentativa de atenuar as estatísticas é válida. A preocupação se tornou ainda 
mais relevante com a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de que a 
punição de motoristas sob influência de álcool só pode ocorrer com base na 
comprovação por teste de bafômetro ou de exame de sangue. 
Como a Constituição garante aos cidadãos o direito de não produzir provas 
contra si, as punições ficaram limitadas, na prática, à suspensão da Carteira 
Nacional de Habilitação (CNH).

Em tese,a mudança na lei,que poderia ser sancionada ainda antes do final do
ano, tem potencial para enquadrar criminalmente quem se recusar a fazer o 
teste.
Isso porque a alcoolemia poderá ser demonstrada por “exame clínico, perícia, 
vídeo, prova testemunhal ou outros meios de prova admitidos em Direito”. 
Além disso, o total da multa para infratores dobrará, alcançando valores elevados
em casos de reincidência.

Em qualquer país, mas particularmente no Brasil, onde veículos frequentemente 
caem em mãos de motoristas despreparados e pouco preocupados com os riscos 
de ingerir álcool antes de dirigir, a lei precisa ser o mais rígida possível para 
coibir excessos. Legislações severas são importantes na luta pela redução do 
número de acidentes de trânsito, mas é necessária a disposição de aplicá-las e 
uma mudança cultural por meio de campanhas continuadas de conscientização. 
O país precisa se mobilizar para convencer as novas gerações, já a partir das 
séries iniciais, de que veículos automotores existem para garantir comodidade
e bem-estar aos cidadãos, que oferecem riscos a seres humanos quando usados 
inadequadamente e que não podem, em hipótese alguma, ser encarados como 
armas para matar e mutilar seres humanos.


COMENTÁRIO DO CORONEL BENGOCHEA - 
Esta alegação do direito individual "de que ninguém é obrigado a produzir provas 
contra si mesmo" deveria se submeter ao direito público e interesse coletivo já 
que envolve risco de morte, incapacitação física e danos ao patrimônio de 
terceiros.
Se a justiça brasileira cumprisse a função precípua da aplicação coativa das leis 
esta infração já seria considerada um crime no País. 
O Brasil precisa de um nova e enxuta constituição para não provocar tantas 
interpretações judiciais contra o interesse público. 
A atual está repleta de direitos sem deveres, assistencialismo sem contrapartidas
e privilégios corporativos que discriminam e fomentam apadrinhamentos e 
conflitos entre Poderes.

quinta-feira, novembro 15, 2012

Tabela de Infrações de Trânsito - 2013



 :: Infrações Leves
PONTOSMULTAPENALIDADESINFRAÇÕES
3R$ 53,20Usar luz alta em via iluminada
3R$ 53,20Buzinar Prolongadamente entre 22 e 6 horas
3R$ 53,20Ultrapassar veículos em cortejo
3R$ 53,20RTconduzir sem portar documentos obrigatórios
3R$ 53,20Estacionar afastado mais de 50 cm da calçada


:: Infrações Médias
PONTOSMULTAPENALIDADESINFRAÇÕES
4R$ 86,13Atirar lixo na via Pública
4R$ 86,13Dirigir com fone de ouvido ou celular
4R$ 86,13RVParar por falta de combustível
4R$ 86,13RVEstacionar a menos de 5 metros da esquina
4R$ 86,13Dirigir com uma só mão
4R$ 86,13Dirigir com o braço do lado de fora
4R$ 86,13Estacionar na contra mão
4R$ 86,13Excesso de Velocidade até 20% acima da rodovia / trânsito rápido ou 50% acima da via de trânsito local



:: Infrações Graves
PONTOSMULTAPENALIDADESINFRAÇÕES
5R$ 127,69Conversão a direita ou esquerda proibida
5R$ 127,69RTVeiculo sem acionar limpador de para brisa na chuva
5R$ 127,69RTMotorista ou Passageiro sem cinto de segurança
5R$ 127,69RVEstacionar na calçada
5R$ 127,69RVEstacionar em fila dupla
5R$ 127,69Não transferir o veículo em 30 dias
5R$ 127,69Não manter distância lateral ou  frontal
5R$ 127,69Seguir veiculo urgência (Bombeiro, Ambulância, Polícia)
5R$ 127,69RTConduz. veiculo em mau estado de conservação
5R$ 127,69RTVeiculo expelindo fumaça ou gás nível superior ao permitido
5R$ 127,69Conversão em locais proibidos
5R$ 127,69Não dar seta para conversão
5R$ 127,69Ultrapassar pelo acostamento
5R$ 127,69Transitar em marcha a ré em trechos longos ou com perigo
5R$ 127,69RVEstacionar viadutos / túneis / pontes
5R$ 127,69Ultrapassar veiculo em fila ou sinal
5R$ 127,69RTNão usar cinto de segurança
5R$ 127,69RTFarol desregulado ou luz alta



:: Infrações Gravíssimas
PONTOSMULTAPENALIDADESINFRAÇÕES
7R$ 574,00AVDirigir sem ser habilitado
7R$ 957,70AVDirigir com CNH Cassada ou suspensa
7R$ 191,54AVDirigir com CNH vencida a mais de 30 dias
7R$ 191,54RC+RTDirigir sem óculos obrigatório
7R$ 957,70CCNH+RT+RV+SDD+DETDirigir sob efeito de álcool ou outro entorpecente
7R$ 191,54RTEntregar veículo a pessoa sem condições
7R$ 191,54RTTransportar criança sem proteção
7R$ 191,54RC+RT+SDD+RDHDirigir ameaçando pedestres
7R$ 957,70SDD+AV+RV+CCNH+DETPromover ou participar de competição, exibição, rachas e demonstração de perícia
7R$ 574,52AV+RV+SDD+RCVelocidade acima de 50% da máxima permitida
7R$ 957,70DD+RV+RC+DETNão prestar socorro à vítima
7R$ 191,54RVEstacionar na pista das estradas
7R$ 191,54Transitar pela contra mão em vias de sentido único
7R$ 492,00Transitar pela calçada, ciclovia, etc
7R$ 191,54Retorno proibido
7R$ 191,54Avançar sinal vermelho
7R$ 191,54Não dar preferência pedestre na faixa
7R$ 191,54AV+RTPassageiro no compartimento carga
7R$ 191,54SDD+RCConduzir moto sem capacete
7R$ 191,54SDD+RCPassageiro da moto sem capacete
7R$ 191,54SDD+RCConduzir moto com farol apagado
7R$ 191,54AV+RV+SDD+RCTranspor bloqueio policial
7R$ 191,54Não  reduzir velocidade perto de escola, etc.
7R$ 191,54AVVeículo sem placa ou licenciamento
7R$ 191,54RVDirigir/exibir manobra perigosa
7R$ 191,54Não dar passagem a Bombeiros, Ambulância.
7R$ 191,54Ultrapassar pela contramão, etc
7R$ 191,54AV+RVBloquear via com o veículo
SIGLAS DAS PENALIDADES
AV = Apreensão de veículoCNH = Carteira Nac. de Habilitação
CCNH = Cassação da CNHDET = Detenção de 6 meses a 3 anos
RC = Retenção da CNHRDH = Recolhim. do docto. de habilitação
RT = Retenção do veículoRV = Remoção do veículo
SDD = Suspensão do direito de dirigir

quinta-feira, outubro 25, 2012

RODOVIAS: O QUE ERA RUIM PIOROU



ZERO HORA 25 de outubro de 2012

MAIS BURACO. 
Pesquisa CNT mostra o preocupante estado de conservação das rodovias 
gaúchas. 
Do ano passado para hoje houve queda de 3,3% nos índices de ótimo e bom

KAMILA ALMEIDA


Dados da pesquisa CNT de Rodovias 2012 mostram em números o que os usuários 
de estradas e rodovias gaúchas sentem na prática. Desde 2010, a cada ano, os 
índices ótimo e bom sobre o estado geral de conservação dos trechos pioram. 
Do ano passado para cá, houve uma queda de 3,3% nesses índices.

O estudo, elaborado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) entre 25 
de junho e 31 de julho deste ano, em todo o país, mostrou que 58,7% dos 8.150 
quilômetros de estradas federais e estaduais do Rio Grande do Sul estão em bom
ou ótimo estado. Em 2011, este índice era de 62%.

De 2011 para cá, o percentual das rodovias ótimas baixou de 18,4% para 11%, 
enquanto as boas subiram de 43,6% para 47,7%. As ruins caíram de 7,6% em 2011 
para 7,2% em 2012 e as péssimas se mantiveram em 2,4%. As regulares passaram 
de 28,1% para 31,8% em 2012. Isto significa que as vias que deixaram de ocupar 
montantes positivos passaram em boa parte para o âmbito regular.

Na última pesquisa, 27 pontos haviam piorado. Nesta, são apenas 12. E também 
há boas notícias. As duas rodovias que conduzem o veraneio dos gaúchos subiram
no conceito da CNT. É o caso de 322 quilômetros pedagiados da BR-290, antes 
considerados bons e agora ótimo. O mesmo ocorre com a RS-040, com 85 
quilômetros pedagiados avaliados como ótimos.

Foram avaliados 95.707 quilômetros de chão pelo país. Os pesquisadores 
observaram pavimento, sinalização e geometria da via.

Das 52 estradas pesquisadas, 12 foram consideradas ruins. Destas, quatro têm 
trechos federais. O superintendente do Departamento Nacional de Infraestrutura 
de Transportes (Dnit) no Rio Grande do Sul, Vladimir Casa, explica que o órgão 
tem um programa de manutenção para todas as rodovias. O último começou a ser 
executado em 2009 e se encerra no final deste ano. Segundo ele, empresas estão 
sendo licitadas para iniciar os trabalhos. Espera-se R$ 1 bilhão de investimento 
no tema nos próximos dois anos.

– Estes contratos se iniciam com obras de recuperação e terminam com as de 
manutenção. Com este novo ciclo que começa em 2013, elevaremos os índices 
das rodovias federais na pesquisa do ano que vem – disse Casa.

Quase dois terços das rodovias pavimentadas do Brasil estão em situação regular, 
ruim ou péssima. O diretor executivo da CNT, Bruno Batista, afirma que a piora 
geral nas estradas foi impulsionada pelo quesito sinalização, principalmente, 
horizontal. 
No Rio Grande do Sul, os índices mais altos são de desgaste na pista. Exemplo 
disso são as BR-153, em Erechim, e RS-122, entre São Vendelino e Farroupilha. 
As duas estão entre os 221 pontos críticos espalhados pelo país e foram 
documentados pelas equipes que reuniram mais de 5 mil imagens para compor 
o dossiê.

– Falhas como essas comprometem a eficiência do transporte de cargas. Faz com
que se consuma mais combustível, na medida em que exige mais dos veículos, e,
como consequência, eleva os preços dos produtos. Ou seja, é o consumidor quem
paga a conta alta pela ineficiência rodoviária – diz Batista.

Pesquisa é realista, diz Beto Albuquerque

Ao detalhar o estudo, dividindo as estatísticas entre trechos pedagiados, federais
e estaduais, os índices ótimo e bom ficam em 82,4%, 69,7% e 46,3%,
 respectivamente. 
Esses são ingredientes que colocam ainda mais lenha na fogueira das discussões
sobre a decisão de encerrar o contrato com as concessionárias das estaduais em
2013, quando vencem as cláusulas e passam para o controle da União.

O secretário estadual de Infraestrutura e Logística, Beto Albuquerque, diz 
que a pesquisa é realista e que o histórico da malha rodoviária do Estado não é
ótimo mesmo, ressaltando que a maioria foi projetada e construída há muitos 
anos. 
Beto lembra que, com o financiamento junto ao Banco Mundial de R$ 900 
milhões, deve haver uma melhoria nesse cenário. As obras em 2 mil quilômetros
de estradas estaduais devem começar no segundo semestre de 2013, com 600 
quilômetros.

Sobre o trecho crítico apontado pela pesquisa, na ERS-122, o secretário lembra
que já foram iniciadas obras no local:

– O problema ali é erosão, característico de uma estrada de Serra.

Para a região serrana também deve ser investido recurso próprio do governo 
estadual em 200 quilômetros de extensão. Essas obras devem se iniciar em março.

terça-feira, outubro 16, 2012

TJ-RS QUER ADVOGADO PARA EXAME DE BAFÔMETRO


EXAME.COM 16/10/2012 09:59 

TJ gaúcho quer advogado para exame de bafômetro. Em contrapartida,
a Promotoria alega que a ausência de um advogado durante o teste do 
bafômetro não fere o direito à defesa 

Luciano Bottini Filho, da 



Cerveja: Tribunal de Justiça do estado recusou uma denúncia contra um homem 
flagrado pela polícia dirigindo embriagado


São Paulo - O Ministério Público do Rio Grande do Sul entrou com reclamação no 
Supremo Tribunal Federal (STF), porque o Tribunal de Justiça do estado recusou 
uma denúncia contra um homem flagrado pela polícia dirigindo embriagado. 
A justificativa: ele fez o teste do bafômetro sem estar com um advogado.

"É inadmissível que a ausência de assistência jurídica na abordagem policial possa 
conduzir o cidadão, por desconhecimento do direito de não ser obrigado a 
produzir prova contra si, à prisão em flagrante", diz a decisão de primeira 
instância, confirmada pelo Tribunal de Justiça. 

O juiz Vinícius Borba Paz Leão, da 1.ª Vara Criminal de Ijuí, no interior gaúcho, 
disse ainda, ao rejeitar a denúncia do MP, que hoje "somente responde a processo
criminal aquela pessoa que não sabia que fazer o exame era uma faculdade". 
Segundo a 3.ª Câmara Criminal do TJ-RS, o bafômetro só vale se as pessoas detidas
forem advertidas de que o teste pode se tornar uma prova contra elas mesmas. 
De acordo com o relatório do tribunal, em nenhum momento os policiais alertaram
o acusado sobre o direito a não realizar o teste.

A Promotoria levou o caso para o STF porque o tribunal gaúcho teria extrapolado
a competência ao declarar, implicitamente, que o Código de Trânsito Brasileiro 
é inconstitucional na parte que trata como crime consumir álcool e dirigir. 
Os procuradores alegam que a ausência de um advogado durante o teste do 
bafômetro não fere o direito à defesa. Na época em que o acusado foi detido, 
o limite de consumo de álcool no sangue já era o de 0,6mg/l - ele estava com 
1,54mg/l (equivalente a quatro copos de uísque para uma pessoa de 75 quilos 
e 1,70m). Ele foi submetido ao exame depois de bater o carro em uma árvore. 
"Tem acontecido isso direto. Ninguém é avisado e as pessoas são forçadas a fazer 
o bafômetro, muitas vezes sem nenhum discernimento. Um advogado tem de 
acompanhar", diz o advogado criminalista Marco Zovico. 

Há ainda especialistas que consideram o exame correto, não importa como o 
material tenha sido colhido, desde que voluntariamente. "Você sempre pode se 
recusar a fazer o bafômetro. Isso é um direito constitucional", diz Maurício Januzzi,
da Comissão de Sistema Viário e Trânsito da OAB-SP. 
"Mas, uma vez feito, está feito." As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

segunda-feira, outubro 08, 2012

É PRECISO MULTAR, SIM!


Rogério Mendelski 

Multas no trânsito sempre serão punitivas aos que desrespeitam o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e elas, com raríssimas exceções, devem ser aplicadas, sim senhor, por que somos mal educados e contumazes desrespeitadores das regras civilizadas sobre como devemos nos comportar na direção de um veículo. Acredito que fazemos parte de uma geração que não teve a educação necessária sobre trânsito a qual iniciaria como disciplina curricular em todos os bancos escolares. 
A prova de nossa péssima educação nas vias públicas começa quando ocupamos vagas com destinação específica para idosos e portadores de deficiência física, ou quando estacionamos de qualquer jeito nas áreas dos shoppings e supermercados. 
No entanto, a evidência inquestionável da falta de limites no respeito ao CTB está na estatística macabra das mortes “motorizadas” no Brasil. O dado mais recente da nossa tragédia registra 43 mil vítimas fatais por ano, sem documentar mortes posteriores dos que ficaram feridos nos acidentes. Essas 43 mil vidas são as constatadas no momento dos acidentes, e um terço delas por excesso de velocidade esgarçando aí a irresponsabilidade dos assassinos do volante. Houvesse uma fiscalização eficiente – equipamentos eletrônicos (eu sei, eles irritam, às vezes, pela quantidade, mas onde eles se localizam, vidas são salvas) e policiamento efetivo – é possível de se deduzir que quase 15 mil vidas seriam poupadas todos os anos. 
Uma guerra ao menos por ano, já que os dados atuais das mortes no trânsito são comparáveis três conflitos sírios anuais. Então que conversa é essa que somos um povo cordial, alegre e pacífico se nos matamos, todos os dias, no trânsito, muito mais do que em qualquer guerra em andamento no planeta? O Brasil não precisa de tropas da ONU, mas necessita, com urgência, de fiscalização humana e eletrônica nas cidades e nas rodovias. Infelizmente, a má educação exige repressão severa: cadeia direta aos infratores e multas que abalem o orçamento doméstico dos irresponsáveis.